Há muitos anos – na verdade nos últimos 100 anos – houve grande investimento em administração científica. Pesquisa operacional, processos, produtividade, custos, qualidade. Planejamento estratégico baseado em números e uma visão fortemente analítica, levando àquele enfoque “se você não pode medir, não tem valor”.
A maioria das organizações fez grandes evoluções nesse campo. Sistemas integrados, reengenharias, governança. Ainda assim, essas mesmas organizações tem carências básicas em comunicação corporativa, não conseguem fazer a estratégia chegar nas pessoas “na ponta” e não conseguem manter suas equipes mobilizadas e motivadas. Os itens “soft” como lealdade, paixão e inovação não tem sido bem tratados e poucas empresas conseguiram achar seu caminho na “gestão de conhecimento”.
Estudando essas empresas, alguns pesquisadores começaram a perceber o poder das histórias para enfrentar essas situações. Contar e ouvir histórias é uma característica do ser humano. Mesmo sem um programa de storytelling, quantas vezes não vemos perguntas respondidas com exemplos, com a contação de um “caso”? Há muitos “casos de sucesso” utilizados para espalhar idéias, “estudos de caso” para disseminar conhecimento. Grandes livros de negócios são as histórias de seus autores.
Os pesquisadores estudaram as técnicas de contadores de histórias e as grandes corporações, não apenas por serem aquelas onde há mais recursos disponíveis, mas também por serem as empresas que mais sofrem com as dificuldades em comunicação. Nas pequenas empresas, as histórias circulam com facilidade, do proprietário ao faxineiro. Todos enxergam os desafios e conseguem caminhar lado a lado. Em grandes corporações, muitas vezes resultado de sucessivas fusões, não se pode esperar que todos sequer saibam aonde estão indo. Fatos e experiências de um setor jamais chegam ao resto da empresa.
Foi assim que chegou a hora das histórias no mundo corporativo, poderosas ferramentas para difundir idéias, visões e fazer circular o conhecimento.
Diferentes histórias para diferentes objetivos.
Histórias servem a diferentes fins. Há histórias, como as fábulas de Esopo, que servem para ensinar valores. Há outras que servem para motivar, outras para criar visão. São histórias diferentes, com estruturas diferentes que atendem diferentes objetivos.
Steve Danning (www.stevedanning.com) separa oito diferentes objetivos e padrões de histórias nos ambientes corporativos:
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Motivar pessoas e implementar novas idéias
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Criar confiança no autor
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Criar confiança na sua empresa e fortalecer sua marca
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Transmitir seus valores
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Promover a colaboração
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Transmitir conhecimento
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Enfrentar rumores e fofocas
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Criar e difundir sua visão de futuro
Alguns dos objetivos acima são enfrentados através de histórias minimalistas, positivas. Outros através de histórias detalhadas e negativas (em geral as histórias que visam transmitir conhecimento tratam de problemas e soluções). Há histórias sobre o passado (a maioria) mas também sobre o futuro próximo e distante. Há histórias verdadeiras, focadas num momento marcante da vida do contador ou da vida da corporação e histórias fictícias, fábulas, parábolas sobre conceitos e valores. Sátiras e histórias ridículas servem para enfrentar fofocas. Colocar seu time contando histórias sobre o próprio time é uma ótima forma de promover a colaboração no próprio time.
Projetos Envolvendo Storytelling
Diversos tipos de projeto podem se beneficiar dos conhecimentos dos contadores de história. Abaixo, apenas alguns exemplos rápidos:
Projetos de Comunicação corporativa
-Comunicação interna dos lideres
-Gerenciamento de crises
Projetos de GC
- Aquisição de conhecimento de especialistas em fase de aposentadoria
-Todos os projetos no item C de Nonaka e Takeushi
Projetos de Colaboração
-Mobilização para colaboração
Projetos nas áreas de Processos e Normas
-Revisão de processos
-Comunidades de pratica
Além de ajudar a criar o tipo correto de história, o especialista vai capacitar os contadores de história no processo de contar a história da melhor forma possível. Entre os serviços possíveis destacam-se:
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Captação de Histórias – (p.ex. conhecimento de especialistas em vias de se aposentar)
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Criação de histórias – indicação e detalhamento da história ideal para cada necessidade
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Metodologia para criação de histórias – fundamentação para projetos maiores de criação de histórias que envolvam um público maior, interno ou externo (por exemplo, a criação de uma metodologia para obtenção de “casos de sucesso” do público usuário de um serviço ou produto).
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Contação de História – técnica e prática de contação de história, voz, postura, ambiência, tempo etc.
Galileo Gagliardi
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